Análise

Análise de itens: descobrir quais questões suas prestam

Duas contas que cabem numa folha revelam mais sobre a sua prova do que anos de intuição: quantos acertaram cada questão, e se quem acertou foi quem sabia mais.

Por que analisar a própria prova

Provas de larga escala como o ENEM passam por análise de item antes e depois da aplicação. Prova de escola, quase nunca — e o resultado é que os mesmos itens defeituosos são reaplicados por anos, penalizando turma após turma por um problema de formulação.

A Teoria Clássica dos Testes oferece dois indicadores que exigem apenas contagem: o índice de dificuldade e o índice de discriminação. Juntos, respondem se cada questão está medindo alguma coisa.

Índice de dificuldade

É simplesmente o percentual de alunos que acertou a questão. Apesar do nome, ele cresce quando a questão fica mais fácil — por isso alguns autores preferem chamá-lo de índice de facilidade.

Como calcular Índice = acertos ÷ total de alunos.
Numa turma de 40 alunos em que 26 acertaram: 26 ÷ 40 = 0,65.
FaixaLeituraO que costuma indicar
Acima de 0,90Fácil demaisNão diferencia; serve de aquecimento no início
0,80 a 0,90FácilAceitável em pequena quantidade
0,40 a 0,80Faixa útilA maior parte da prova deveria estar aqui
0,20 a 0,40DifícilAceitável para diferenciar o topo da turma
Abaixo de 0,20Difícil demaisSuspeita de enunciado ruim ou conteúdo não ensinado

Uma prova inteira acima de 0,90 produz média alta e nenhuma informação: todo mundo acerta, e não dá para saber quem aprendeu mais. Uma prova inteira abaixo de 0,30 produz o mesmo problema no outro extremo.

Índice de discriminação

Este é o indicador que realmente importa, e o menos conhecido. Ele responde: quem acertou esta questão foi quem foi melhor na prova como um todo? Se sim, a questão está medindo a mesma coisa que a prova mede. Se não, está medindo outra coisa — ou nada.

Como calcular 1. Ordene os alunos pela nota total da prova.
2. Separe o terço superior e o terço inferior.
3. Calcule o percentual de acerto da questão em cada grupo.
4. Índice = acerto do grupo superior − acerto do grupo inferior.

Se 90% do terço superior acertou e 30% do terço inferior acertou: 0,90 − 0,30 = 0,60.
FaixaLeituraAção
Acima de 0,40ExcelenteGuardar no acervo e reaplicar
0,30 a 0,40BoaManter
0,20 a 0,30FracaRevisar enunciado e distratores
0 a 0,20Não discriminaReescrever ou descartar
NegativaItem defeituosoConferir gabarito — quem sabia mais errou

Discriminação negativa é o achado mais valioso da análise, porque é acionável na hora: na maioria dos casos o gabarito está errado, ou o enunciado permite uma segunda leitura defensável que os alunos mais atentos seguiram.

Análise de distratores

O terceiro olhar não envolve conta: é ver quantos alunos escolheram cada alternativa errada. Três padrões aparecem:

O que fazer com cada resultado

DificuldadeDiscriminaçãoDiagnósticoAção
0,40–0,80> 0,30Item saudávelGuardar no acervo
> 0,90qualquerFácil demaisManter no máximo duas por prova
< 0,20> 0,30Difícil mas justaManter; diferencia o topo
< 0,20< 0,20Provável defeitoReler o enunciado; considerar anulação
qualquernegativaGabarito ou ambiguidadeConferir gabarito; anular se confirmado

Quando a análise indica anulação, o custo dessa decisão é o que determina se ela acontece. No Corrigi, anular a questão recalcula automaticamente todas as provas já corrigidas — inclusive preservando quem havia acertado —, o que torna a correção justa viável mesmo depois de metade da pilha lida.

Perguntas frequentes

Preciso de software estatístico?

Não. Índice de dificuldade é uma divisão, e o de discriminação é uma subtração entre dois grupos. O trabalho pesado é tabular quem marcou o quê — que é exatamente o que a correção automática já produz.

Qual índice de dificuldade é o ideal?

Entre 0,40 e 0,80 para a maior parte dos itens. Muito acima, a questão não diferencia; muito abaixo, provavelmente há problema de enunciado ou o conteúdo não foi ensinado.

Discriminação negativa significa o quê?

Que os alunos com melhor desempenho geral acertaram menos aquela questão que os de pior desempenho. Quase sempre é gabarito errado ou enunciado ambíguo — vale reler o item antes de qualquer conclusão sobre a turma.

Vale fazer isso com turma pequena?

Com menos de 20 alunos os índices ficam instáveis e servem como indício, não como medida. Somar as turmas que fizeram a mesma prova melhora bastante.

Tenha o desempenho por questão sem tabular nada

A leitura pela câmera devolve o percentual de acerto de cada questão e o que cada aluno marcou. É o insumo da análise de itens, pronto no fim da pilha.

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Gratuito para testar. A leitura das folhas pela câmera acontece no aplicativo.

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